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Vamos explorar a lua Europa?

 

Europa é uma das luas mais interessantes do Sistema Solar. Fica longe do Sol, pois orbita Júpiter, que fica a cerca de 5,2 UAs do Sol. (1 UA = 149.597.870.700m.) A essa distancia, a luz do Sol que chega até lá é mínima: cerca de 1/27.04 do que chega até a Terra. Assim, Europa, que tem muita água, não passa de uma bola de gelo.

Júpiter visto da superfície de Europa. Créditos: Walter Myers - http://www.arcadiastreet.com/

Júpiter visto da superfície de Europa. Créditos: Walter Myers – http://www.arcadiastreet.com/

Ainda assim, por incrível que pareça, Europa tem muita água debaixo dessa crosta congelada. Isso acontece devido à força de maré (efeito gravitacional) gerado por Júpiter e outras luas próximas (Io e Ganimedes – que também são luas galileanas), o que faz com que o núcleo de Europa se mantenha aquecido, possivelmente gerando até mesmo a fontes hidrotermais.

Isso torna Europa extremamente interessante, não como uma possível fonte de água – até porque seria inviável – , mas para a astrobiologia. O oceano submerso de Europa pode ter todas as condições necessárias para o surgimento e manutenção da vida. Mas, por óbvio, não falamos de nada inteligente: falamos de vida microscópica e, quem sabe, até alguns pequenos vermes. Mas, hei, vida é vida!

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Assim, a pressão da comunidade científica (e até da população norte-americana em geral) por uma missão a Europa tem sido grande nos últimos anos – talvez nas últimas décadas. E o Congresso norte-americano, que é quem decide o orçamento da NASA, vem refletindo essa pressão ao menos nos últimos 3 anos. Contudo, a NASA, que é uma agência controlada pelo executivo, não vinha cedendo a essa pressão – até por não estar suscetível a qualquer pressão ou mesmo lobby.

Mas esse ano a coisa mudou: ao apresentar a proposta de Orçamento para 2016, a NASA solicitou US$ 30 milhões para trabalhar no projeto. Valor que, ao passar pelo Congresso, deve aumentar consideravelmente. Só para se ter uma ideia, em 2015 a NASA solicitou US$ 15 milhões para explorar possíveis opções para a missão e os congressistas aumentaram o valor para US$ 100 milhões (!). Assim, aparentemente, estamos indo para Europa!

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Mas contenham sua empolgação: não vai ser tão fácil assim. O problema é que a região que em que Europa orbita está exatamente dentro de um cinturão de radiação, que é gerado pelo campo magnético de Júpiter. O ambiente é tão agressivo que, se fossemos proteger os equipamentos eletrônicos da sonda, ela ficaria pesada demais. E, lembre-se: quanto maior o peso, mais caro fica para colocar algo no espaço.

Assim, o que inicialmente pensava-se em fazer, que era colocar uma sonda que orbitasse Europa, não será possível. A ideia agora é colocar a sonda em órbita de Júpiter, fazendo apenas aproximações rápidas de Europa. A espaçonave entraria no cinturão de radiação, faria as observações e sairia em seguida, para repetir o procedimento em futuras aproximações. Não é o ideal, mas é o que temos para hoje. Não nos dará tantas informações como a ideia original, nem tão rápido, mas com certeza poderemos aprender muito com essa missão.

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Mesmo sem esses problemas, vai demorar para conseguirmos amostras daquele oceano submerso, já que a crosta congelada tem aproximada de 10 a 30 km de espessura. Ainda assim, aparentemente a água desse oceano vem até a superfície vez por outra. Evidência disso são as incontáveis rachaduras presentes na superfície da lua, o que permitiria que a água subisse e, então, congelasse.

Assim, se houver vida no interior de Europa, é bem possível que encontremos evidências dela na superfície, o que tornaria uma missão com um rover – como aqueles enviados a Marte – algo extremamente interessante. A questão para tornar isso possível pode ser descrita em 3 palavras: tecnologia, tecnologia e tecnologia.

Precisamos de tecnologia para proteger a tecnologia do rover da radiação. Também precisamos de tecnologia para protegê-la do frio, já que a temperatura média na superfície de Europa é de -171,15 ºC (a mínima é entorno de -223,15 ºC). Precisamos de tecnologia, finalmente, para os materiais a serem usados, já que, em tais temperaturas, o aço se torna frágil quanto bolacha/biscoito e a madeira tão dura quanto o aço em temperaturas normais.

Ou seja: a coisa não é fácil. E até lá… Vamos fazendo o que dá.

Para mais informações sobre a possibilidade de vida em Europa, leia Vida na Lua Europa?” e para mais informações sobre a missão, leia Nasa está a caminho da lua-oceano”.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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