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Hubble revisita os icônicos “Pilares da Criação” em alta definição

 

Traduzido de Astronomy Magazine. Texto original neste link.

Quase 20 anos depois, o telescópio espacial capturou um novo retrato em luz visível da Nebulosa da Águia, bem como uma versão em infravermelho-próximo.

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O Telescópio Espacial Hubble da NASA tirou uma fotografia maior e mais nítida dos icônicos “Pilares da Criação”, da Nebulosa da Águia, mostrada à direita. A imagem original de 1995 das gasosas torres, tiradas com a Camera Planetaria de Campo Amplo do Hubble, é mostrada à esquerda. Fonte: à esquerda, NASA/ESA/STScI/J. Hester and P. Scowen (Arizona State University); à direita, NASA/ESA/The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).

Apesar do Telescópio Espacial Hubble, da NASA, ter tirado muitas fotos deslumbrantes do universo, uma delas se destaca do resto: a icônica vista dos chamados “Pilares da Criação”. A foto, que é de cair o queixo, tirada em 1995, revelou detalhes nunca antes vistos das três colunas gigantes de gás frio banhado pela ardente luz ultravioleta de um aglomerado de massivas e jovens estrelas, em uma pequena região da Nebulosa da Águia (M16).

Apesar de tais características serem comuns em regiões de formação estelar, as estruturas de M16 são de longe as mais fotogênicas e evocativas. A imagem do Hubble é tão popular que já apareceu em filmes, programas de TV, camisetas, travesseiros e até mesmo em um selo postal.

E agora, na comemoração do seu 25º aniversário, Hubble revisitou os famosos pilares, fornecendo aos astrônomos uma visão mais nítida e ampla. Como um bônus, os pilares foram fotografadas em luz infravermelha-próxima, assim como em luz visível. A visão infravermelha transforma os pilares em silhuetas delgadas e misteriosas, vistas contra um fundo de miríades de estrelas. Isso porque a luz infravermelha penetra muito o gás e poeira, com excepção das regiões mais densas dos pilares. Estrelas recém-nascidas podem ser vistas escondidas dentro dos pilares. As novas imagens foram reveladas na reunião da American Astronomical Society, em Seattle.

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA, tirada em luz infravermelha-próxima, transforma os pilares em silhuetas delgadas e misteriosas, que são vistas contra um fundo de miríades de estrelas. A luz infravermelha pode penetrar a maior parte do gás e poeira, revelando estrelas por trás da nebulosa, bem como escondidas dentro dos pilares. Algumas das nuvens de gás e poeira são tão densas que até mesmo a luz infravermelha não pode penetrá-las. Novas estrelas embutidas nos topos dos pilares, no entanto, estão aparentes como fontes brilhantes que não são vistas na imagem em luz visível. Fonte: NASA/ESA/The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).

Esta imagem do Telescópio Espacial Hubble da NASA, tirada em luz infravermelha-próxima, transforma os pilares em silhuetas delgadas e misteriosas, que são vistas contra um fundo de miríades de estrelas. A luz infravermelha pode penetrar a maior parte do gás e poeira, revelando estrelas por trás da nebulosa, bem como escondidas dentro dos pilares. Algumas das nuvens de gás e poeira são tão densas que até mesmo a luz infravermelha não pode penetrá-las. Novas estrelas embutidas nos topos dos pilares, no entanto, estão aparentes como fontes brilhantes que não são vistas na imagem em luz visível. Fonte: NASA/ESA/The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).

Embora a imagem original tenha sido apelidada de Pilares da Criação, a nova imagem sugere que elas também são pilares da destruição. “Estou impressionado com o quão transitórias estas estruturas são. Elas estão sendo ativamente extirpada diante de nossos olhos. A neblina fantasmagórica azulada em torno das bordas densas dos pilares é material sendo aquecido e evaporando para o espaço. Pegamos esses pilares em um momento muito especial e de curta duração em sua evolução”, explicou Paul Scowen da Universidade Estadual do Arizona, em Tempe, que, com o astrônomo Jeff Hester, anteriormente da Universidade Estadual do Arizona, liderou as observações originais da Nebulosa da Águia com Hubble.

A imagem em infravermelho mostra que a razão pela qual os pilares existem é que seus extremos são densos e “prendem” o gás abaixo deles, criando as estruturas longas em forma de pilar. O gás entre os pilares foi soprado pelos ventos ionizantes do aglomerado central de estrelas, localizado acima dos pilares, há muito tempo.

Na extremidade superior do pilar esquerdo, um fragmento gasoso foi aquecido e está sendo lançado para longe da estrutura, que sublinha a natureza violenta de regiões de formação de estrela. “Esses pilares representam um processo ativo muito dinâmico”, disse Scowen. “O gás não está sendo aquecido passivamente e suavemente flutuando para longe no espaço. Os pilares gasosos estão realmente sendo ionizados (um processo pelo qual elétrons são arrancados dos átomos) e aquecido pela radiação das estrelas massivas. E então eles estão sendo corroídos pelos fortes ventos das estrelas (barragem de partículas carregadas), que estão jateando fora o topo desses pilares”.

Quando Scowen e Hester usaram o Hubble para fazer observações iniciais da Nebulosa da Águia, em 1995, os astrônomos já haviam visto as estruturas em forma de pilares em imagens feitas do solo, mas não em detalhes. Eles sabiam que os processos físicos não eram exclusivos da Nebulosa da Águia, pois o nascimento de estrelas acontece por todo o universo. Mas a uma distância de apenas 6.500 anos-luz, M16 é o exemplo mais dramático nas proximidades, como a equipe logo percebeu.

O Telescópio Espacial Hubble, da NASA, revisitou os famosos Pilares da Criação, revelando uma visão mais nítida e mais ampla das estruturas nesta imagem em luz visível. Os astrônomos combinaram várias exposições da câmara do Hubble para montar a vista mais ampla. Os imponentes pilares têm cerca de 5 anos-luz de altura. O traço escuro em forma de dedo na parte inferior direita pode ser uma versão menor dos gigantes pilares. A nova imagem foi tirada com versátil e aguçada Wide Field Camera 3 do Hubble. Fonte: NASA/ESA/The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).

O Telescópio Espacial Hubble, da NASA, revisitou os famosos Pilares da Criação, revelando uma visão mais nítida e mais ampla das estruturas nesta imagem em luz visível. Os astrônomos combinaram várias exposições da câmara do Hubble para montar a vista mais ampla. Os imponentes pilares têm cerca de 5 anos-luz de altura. O traço escuro em forma de dedo na parte inferior direita pode ser uma versão menor dos gigantes pilares. A nova imagem foi tirada com versátil e aguçada Wide Field Camera 3 do Hubble. Fonte: NASA/ESA/The Hubble Heritage Team (STScI/AURA).

Conforme Scowen montava as exposições do Hubble da Nebulosa da Águia, ele se surpreendeu com o que via. “Eu liguei para Jeff Hester em seu telefone e disse: ‘Você precisa vir pra cá agora'”, Scowen lembrou. “Nós colocamos as fotos em cima da mesa, e nós estávamos simplesmente entusiasmados por causa de todos os detalhes incríveis que estávamos vendo pela primeira vez.”

As primeiras características que chamaram a atenção para a equipe em 1995 foram as correntes de gás aparentemente flutuando para longe das colunas. Os astrônomos tinham debatido anteriormente que efeito estrelas massivas próximas teriam sobre o gás circundante, em berçários estelares. “Só há uma coisa que pode iluminar um bairro como este: estrelas massivas emitindo potência suficiente em luz ultravioleta para ionizar as nuvens de gás e fazê-las brilhar”, disse Scowen. “Regiões nebulosas de formação estrelar como a M16 são os sinais de néon interestelares que dizem: ‘Nós acabamos de fazer um monte de estrelas massivas aqui. Esta foi a primeira vez que tinha visto evidência observacional direta de que o processo erosivo, não só a radiação, mas a remoção mecânica do gás a partir das colunas, estava realmente sendo visto.”

Comparando as imagens de 1995 e 2014, os astrônomos também notaram um prolongamento em forma de jato estreito, que pode ter sido ejetado de uma estrela recém-formada. O jato se parece com um fluxo de água de uma mangueira de jardim. Ao longo dos 19 anos de intervenção, este jato se estendeu para mais longe no espaço, através de 60 bilhões milhas (cerca de 96,561 bilhões de Km) adicionais, a uma velocidade estimada de cerca de 450.000 mph (cerca de 724.200kph).

Provavelmente nosso Sol se formou em uma região de formação estrelar turbulenta, semelhante a essa região específica da Nebulosa da Águia. Há evidências de que o sistema solar foi “temperado” com estilhaços radioactivos provenientes de uma supernova nas proximidades, durante sua formação. Isso significa que o nosso Sol foi formado como parte de um aglomerado, que incluiu estrelas massivas o suficiente para produzir poderosa radiação ionizante, como é visto na Nebulosa da Águia. “Essa é a única forma pela qual a nebulosa da qual o Sol nasceu poderia ter sido exposta a uma supernova tão rápido, no curto período de tempo que representa, porque supernovas só vêm de estrelas massivas, e essas estrelas só vivem algumas dezenas de milhões de anos”, Scowen explicou. “O que isto significa é que, quando você olha para o ambiente da Nebulosa da Águia ou de outras regiões de formação estrelar, você está olhando exatamente para o tipo de ambiente de nascimento em que o nosso Sol se formou.”

Traduzido de Astronomy Magazine. Texto original neste link.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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