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WASP-94: planetas “primos” orbitando estrelas gêmeas

 

Artigo traduzido de WASP planets.

Uma ilustração de um planeta que orbita uma estrela de um sistema binário. Em WASP-94, o planeta orbitando a estrela mais brilhante seria detectado por trânsito, provocando um desvio na luz que pode ser detectado a partir da Terra. O outro planeta orbita a segunda estrela no canto inferior esquerdo. Não faz trânsito e não é diretamente visível, mas pode ser detectado pela sua força gravitacional sobre a segunda estrela. Crédito: ESO/L. Calçada/Nick Risinger.

Uma ilustração de um planeta que orbita uma estrela de um sistema binário. Em WASP-94, o planeta orbitando a estrela mais brilhante seria detectado por trânsito, provocando um desvio na luz que pode ser detectado a partir da Terra. O outro planeta orbita a segunda estrela no canto inferior esquerdo. Não faz trânsito e não é diretamente visível, mas pode ser detectado pela sua força gravitacional sobre a segunda estrela. Crédito: ESO/L. Calçada/Nick Risinger.

Astrônomos europeus descobriram dois novos planetas extra-solares do tamanho de Júpiter, cada um em órbita de uma estrela de um sistema binário de estrelas. A maioria dos planetas extra-solares conhecidos orbitam estrelas solitárias, como o nosso Sol. No entanto, muitas estrelas fazem parte de sistemas binários, estrelas gêmeas formadas a partir da mesma nuvem de gás. Agora, pela primeira vez, foi identificado que duas estrelas de um sistema binário hospedam, cada uma, um exoplaneta “júpiter quente”.

As descobertas, orbitando as estrelas WASP-94A e WASP-94b, foram feitas por uma equipe de astrônomos britânicos, suíços e belgas. A pesquisa britânica WASP-Sul, operada pela Universidade de Keele, encontrou pequenos desvios na luz de WASP-94A, o que sugere que um planeta semelhante a Júpiter estava transitando a estrela; astrônomos suíços, então, mostraram a existência de um planeta em torno de WASP-94A e, em seguida, outro planeta orbitando sua irmã gêmea WASP-94b.

Marion Neveu-VanMalle, do Observatório de Genebra, que escreveu o artigo de anúncio, explica: “Observamos a outra estrela por acidente, e então encontramos um planeta em torno dela também!”.

Planetas júpiteres quentes estão muito mais perto de suas estrelas do que nosso Júpiter, com um “ano” durando apenas alguns dias. Eles são raros, por isso seria improvável encontrar dois júpiteres quentes no mesmo sistema estelar por acaso. Talvez WASP-94 tenha as condições ideais para a produção de júpiteres quentes? Se for assim, WASP-94 poderia ser um sistema importante para entender porque júpiteres quentes estão tão perto das estrelas que orbitam.

A existência de enormes planetas como júpiter em tamanho tão perto de suas estrelas é um enigma de longa data, uma vez que eles não podem se formar perto da estrela, onde é muito quente. Eles devem se formar muito mais longe, onde é frio o suficiente para gelo congelar fora do disco proto-planetário que circunda a jovem estrela, formando o núcleo de um novo planeta. Algo deve então mover o planeta em uma órbita próxima, e um mecanismo provável é uma interação com um outro planeta ou estrela. Encontrar planetas júpiteres quentes em duas estrelas de um par binário pode nos permitir estudar os processos que movem os planetas para perto das estrelas.

O professor Coel Hellier, da Universidade de Keele, observa: “WASP-94 poderia se transformar em uma das mais importantes descobertas da WASP-Sul. As duas estrelas são relativamente brilhante, tornando mais fácil estudar seus planetas, assim WASP-94 pode ser usado para descobrir as composições das atmosferas dos exoplanetas”.

A pesquisa WASP é a busca de maior sucesso do mundo por planetas júpiteres quentes que passam na frente de suas estrelas (trânsito). O instrumento de pesquisa WASP-Sul varre o céu a cada noite clara, procurando trânsito em centenas de milhares de estrelas. A equipa belga seleciona os melhores candidatos WASP através da obtenção de dados de alta qualidade da curvatura de luz dos trânsitos. Astrônomos do Observatório de Genebra, em seguida, demonstram que o corpo em trânsito é um planeta medindo a sua massa, o que fazem através da detecção do puxão gravitacional do planeta na estrela hospedeira.

Autor(es):

Jessica Mapo

Um universo inteiro a ser descoberto por ele mesmo. 22 anos, aspirante a astrofísica, tradutora no site Ciência e Astronomia e no site Universo Racionalista. Apaixonada por astronomia desde pequena e fascinada por exatas desde o berço.

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