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Diferentes visões da Nebulosa de Órion

 

A Nebulosa de Órion, também descrita como M42 e NGC 1976, é uma nebulosa difusa localizada a sul do “Cinturão de Órion” (ou “Três Marias”, como é mais conhecido no Brasil), na Constelação de Órion, a cerca de 1344 anos-luz da Terra e seu nome provém da sua. Possui diâmetro aproximado de 24 anos-luz e é uma região de formação estelar: em seu interior as estrelas estão nascendo e começando a brilhar constantemente.

É uma das nebulosas mais brilhantes do céu, podendo ser observada a olho nu. Por isso mesmo, antigamente pensava-se que ela fosse, na verdade, uma estrela, à qual se deu o nome Theta Orionis e seria a estrela central da “espada” de Órion. Textos antigos a chamavam de “Ensis”, palavra latina que significa “espada”, nome que também recebe a estrela Eta Orionis, que está muito próxima à nebulosa como visto em nosso céu. Até que, em 1610, foi identificada como uma nebulosa por Nicolas-Claude Fabri de Peiresc.

Ela é uma das nebulosas mais fotografadas e estudadas e deve-se a todo esse estudo grande parte de nosso conhecimento a respeito da formação estelar e planetária. Astrônomos observaram nas suas entranhas discos protoplanetários, anãs castanhas, fortes turbulências em seu gás e efeitos foto ionizantes devido a estrelas muito massivas próximas à nebulosa.

Discos protoplanetários na Nebulosa de Órion. Créditos: Telescópio Espacial Hubble, da NASA.

Discos protoplanetários na Nebulosa de Órion. Créditos: Telescópio Espacial Hubble, da NASA.

A nebulosa de Órion faz parte de uma nebulosa ainda maior, uma gigantesca nuvem de gás e poeira chamada Complexo Nuvem Molecular de Órion. Essa nuvem se estende pelo centro da Constelação de Órion e contém ainda outras nebulosas: o Anel de Barnard, a Nebulosa Cabeça de Cavalo, a Nebulosa De Mairan, a belíssima Messier 78 e a Nebulosa da Chama.

Devido a suas cores, a composição química da Nebulosa de Órion é provavelmente rica em Hidrogênio, Nitrogênio, Oxigênio e Enxofre, contendo também moléculas ricas em carbono chamadas hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Deve conter outros elementos em menores quantidades também.

A chamada “luz visível”, como se sabe, é parte do Espectro Eletromagnético, que é o intervalo completo de todas as possíveis frequências da radiação eletromagnética. Ele é composto por: radio, microondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raio-x, raios gama e raios gama de alta energia (raios cósmicos).

espectro_eletromagnetico

Assim, é possível “ver coisas”, ou fotografá-las no caso, de várias formas diferentes. É exatamente o caso da Nebulosa de Órion, que foi fotografada de diversas formas diferentes, tendo inclusive imagens que foram geradas por composições dessas diferentes formas.

Tive o cuidado de pegar seis diferentes fotografias da Nebulosa de Órion, cortá-las e rotacioná-las de forma que a única diferença entre elas seja realmente a forma de se fotografar. Finalmente peguei, também, uma comparação entre duas imagens em visões diferentes. Vamos ver essas fotografias então?

orion nebula hubble

Essa é, diria eu, a imagem mais clássica da Nebulosa de Órion.  Ela foi capturada pelo Telescópio Espacial Hubble em novembro de 2006 e levou 105 órbitas entorno da Terra para poder concluí-la. Todos os instrumentos a bordo do Hubble foram usados ​​simultaneamente para isso e ela cobre aproximadamente o tamanho angular aparente da Lua cheia.

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Essa é uma composição da Nebulosa de Órion como vista da Terra, o que inclui certa distorção de suas cores devido à atmosfera, mais a imagem em ultravioleta. Ela foi capturada usando a câmera Wide Field Imager no telescópio MPG/ESO, de 2,2 metros, no Observatório de La Silla, Chile. Os tempos de exposição usados para gerar essa imagem foram de cerca de 52 minutos, através de cada um dos 5 diferentes filtros.

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Essa imagem da Nebulosa de Órion foi capturada pelo Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, em 2006, em infravermelho e está em falsa cor. Spitzer, com sua poderosa visão infravermelha, foi capaz de desenterrar cerca de 2.300 discos de formação planetária no Complexo Nuvem Molecular de Órion, que inclui a Nebulosa de Órion.

Os discos, feitos de gás e poeira e que giram em torno de jovens sóis, são muito pequenos e distantes para ser vista por telescópios de luz visível. No entanto, o brilho infravermelho de sua poeira quente é facilmente visto pelos detectores do Spitzer. Cada disco tem o potencial de formar planetas e seu próprio sistema solar.

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Essa imagem da Nebulosa de Órion também foi capturada pelo Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, em 2010. Ela foi tomada depois de o líquido refrigerador do Spitzer ter secado, em maio de 2009, marcando o início de sua missão “quente”. Ela também está em cor falsa, codificada da seguinte forma: 3,6 mícrons de luz está em azul e 4,5 mícrons luz está em laranja.

orion nebula hubble and spitzer

Essa é uma composição entre imagens da Nebulosa de Órion feitas pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio Espacial Spitzer, ambos da NASA. É, portanto, uma composição de imagens em infravermelho e luz visível. A mancha amarela, perto do centro da imagem, indica quatro estrelas monstruosas presentes no centro da nuvem, cujo asterismo é conhecido como Trapézio.

Os créditos da imagem são de NASA, JPL-Caltech e STScI.

different orion nebula hubble and spitzer

Essa é outra composição entre imagens da Nebulosa de Órion feitas pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo Telescópio Espacial Spitzer, ambos da NASA. Contudo, desta vez foi feita por Steve Black, de Las Vegas, Nevada, EUA.

A descrição da imagem é “imagem da nebulosa de Órion composta de uma imagem do Hubble e outra do Spitzer, com algo um pouco diferente”. Então, não é possível saber se é realmente só isso que ele usou. Mas a imagem é, sem dúvida alguma, belíssima.

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Finalmente, essa é uma comparação entre uma imagem em infravermelho do Telescópio Espacial Spitzer, da NASA, e uma imagem no espectro de luz visível, feita a partir do Observatório Nacional de Astronomia Óptica, sediado em Tucson, Arizona.

Contudo, as imagens não apresentam apenas a Nebulosa de Órion, ela pega um pouco mais, mostrando duas de suas nuvens circundantes. A Nebulosa de Órion é a maior e ocupa a metade inferior das imagens; a pequena nebulosa no canto superior esquerdo de Órion é a Nebulosa De Mairan; e a nebulosa média no topo é a NGC 1977.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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