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Novos Rumos da Exploração Espacial

 

Recentemente tivemos o último voo de um Ônibus Espacial: a missão STS-135 do Ônibus Espacial Atlantis. A partir de agora, sem sombra de dúvidas, as decolagens de naves espaciais ficarão muito menos belas e emocionantes, o que é realmente uma pena.

Decolagem do Ônibus Espacial Atlantis em sua última missão: a STS-135.

Decolagem do Ônibus Espacial Atlantis em sua última missão: a STS-135.

Ainda assim, devemos, sempre, nos focar no futuro e ver o que podemos fazer com ele.

A NASA pretende lançar uma missão tripulada para um asteroide por volta de 2025 para, depois, enviar outra à Marte. Ela deve lançar um novo SLS  (Space Launch System – Sistema de Lançamento Espacial) e um MPCV (Multi-Purpose Crew Vehicle – Veículo Tripulado de Múltiplo Propósito) em 2017, mas… Tem tido alguns problemas, como pode ser lido aqui (em inglês).

De qualquer forma, esta nova plataforma será baseada em foguetes e uma cápsula, da mesma forma que são usados hoje pelos russos (nas Soyuz) e como foram usadas no Programa Mercury, Projeto Gemini e no Projeto Apollo, todos da própria NASA.

Além disto, ainda temos diversos projetos da iniciativa privada, como retratei nos artigos “Turismo espacial. Que tal?” e “Empresa americana anuncia projeto do maior foguete do mundo”.

Contudo, o mais interessante de todos é o chamado “Projeto Icarus”, que pretende lançar uma sonda interestelar para Alfa de Centauri (mais precisamente para a estrela Proxima Centauri). O projeto é liderado pela “Tau Zero Foundation” e pela “British Interplanetary Society”, que tem como objetivo construir tal sonda em apenas cinco anos.

Contudo, há um problema: para que tal projeto possa ir à frente, precisaremos, primeiro, minerar o planeta Urano. Acontece que Urano é rico em Helio-3, combustível que se acredita ser o futuro da fusão nuclear e da propulsão interestelar. Assim, é óbvio: é a fonte de combustível para o Projeto Icarus, já que se pretende que a sonda atinja 12% de c (velocidade da luz no vácuo). Você pode ler mais sobre isto aqui e aqui.

Sonda interestelar "Icarus" - Fonte: news.discovery.com

Sonda interestelar “Icarus” – Fonte: news.discovery.com

Isto tudo pode parecer “futurista demais”. Alguns poderiam argumentar algo como “Pra que fazer algo assim, quando há tantas pessoas morrendo de fome no mundo?”. A questão é que a ciência se faz olhando, sempre, para o futuro. Para aquilo que pode ser aprendido, descoberto e feito, até mesmo em prol da humanidade.

“Em algum lugar, algo incrível está esperando para ser descoberto.”
– Carl Sagan

Aliás, acho inclusive que já deveríamos estar criando o projeto de uma nave geracional, para explorar (e, quem sabe, até colonizar) outros sistemas estelares. Não falo de começar a “mandar foguetes com peças para montar uma nave gigantesca na órbita da Terra”, mesmo porque não há sequer o desenho de como seriam tais peças. Falo realmente de projetar tal nave, desenvolvendo as tecnologias necessárias no processo. Poderíamos aprender muito com isto.

“Quando se é alfabetizado cientificamente, o mundo parece diferente à sua vista, e essa compreensão lhe dá poder.”
– Neil deGrasse Tyson

Afinal, lembrem-se: nosso planeta não durará para sempre. Em cerca de 1,8 bilhões de anos, quando o Sol sair de sua sequência principal, ele aquecerá tanto, que a Terra ficará inabitável. Isto é, mesmo antes de virar uma gigante vermelha. Então, apesar de ainda faltar muito tempo, é preciso pensar sobre tais temas, para que nossa sociedade possa se perpetuar, mesmo apesar de nosso Sol e de nosso planeta.

Detalhe: Aqueles que costumam argumentar que “Pra que fazer algo assim, quando há tantas pessoas morrendo de fome no mundo?” são exatamente aqueles que menos fazem para a solução de tais problemas.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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One Response to Novos Rumos da Exploração Espacial

  1. sergio disse:

    Genial a ideia de minerar Urano!
    12% da velocidade da luz? orra!!

     

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