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Estrelas Órfãs

 

Há não muito tempo, se afirmava que estrelas não nasciam fora das galáxias. Dentro de cada galáxia existem gases, como hidrogênio e hélio, numa boa densidade para que sirvam de “combustível” do nascimento de estrelas. Porém, estrelas estão nascendo no espaço intergaláctico aos montes. Especialistas acreditam que essas estrelas nasceram a partir de nuvens de nitrogênio neutro. O quinteto de Stephan, por exemplo, reúne cinco galáxias próximas (N7320C, N7319, N7318B, N7318A, N7317) e o espaço entre elas está repleto de estrelas órfãs. As nuvens de hidrogênio presentes no espaço entre os cinco teriam sido “expulsas” de dentro das galáxias após violentas colisões. Porém, as estrelas que rodeiam o Quinteto de Stephan só começaram a aparecer cerca de 100 milhões de anos depois da condensação de gás e poeira estrelar.

 

Trabalho de brasileiros.

A astrônoma Cláudia Mendes de Oliveira, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, junto de Laerte Sodré Júnior, também do IAG e Eduardo Cypriano, do Observatório Soar, no Chile, publicaram na revista Astrophysical Journal em 2004 sobre quatro regiões intergalácticas repletas de estrelas órfãs. Elas tem cerca de 3 e 6 milhões de anos e ficam entre as cinco galáxias do Quinteto de Stephan e estão distantes cerca de 280 milhões de anos-luz da Terra. Quase ali do lado…

Pena que não dá pra ver a olho nu.

 

Berçário de estrelas: “adoções” estrelares.

A descoberta citada acima, feita junto de uma pesquisadora francesa, foi mero acaso. Em quanto usavam o Gemini Norte para observar a formação de galáxias anãs dentro do quinteto, pif! Acabaram encontrando nuvens de hidrogênio. Quando foram pesquisar mais a fundo, encontraram cerca de quatro berçários cheios de jovens estrelas. “Até recentemente não se acreditava que fosse possível formar estrelas fora de galáxias”, conta o astrônomo Laerte Sodré Júnior. Para ele, esta descoberta causa um grande impacto na questão da evolução das galáxias. Porém, claro, alguns mistérios persistem quanto a isso.

 

Estrelas em caudas de galáxias.

A galáxia ESO 137-001 atraiu muitos olhares em 2007, quando a força gravitacional do enxame de galáxias Abel 3627 arrancou grandes quantidades de gases de dentro da galáxia formando uma grande cauda que já se estende por mais de 200.000 anos-luz. As observações dão conta de que milhares de estrelas já foram formadas nessa cauda. Também existem 29 regiões de hidrogênio ionizado provavelmente provenientes das estrelas órfãs nascidas por lá. Elas tem cerca de 10 milhões de anos e são muito isoladas.

Hoje em dia, essas caudas de galáxias não são coisas que se veem todo dia. Mas, no passado distante, ter uma cauda de galáxia era muito cool. Sim, voltar ao passado às vezes é muito bom.

 

Ficou curioso? Leia mais!!!

http://clubecetico.org/forum/index.php?topic=13280.0

http://www.portaldoastronomo.org/noticia.php?id=724

http://www.homenews.com.br/article.php?sid=2260

 

Autor(es):

Yara Laiz Souza

Sou graduanda de Ciências Biológicas e pesquisadora da área de Genética Populacional, apaixonada por astronomia e pipoca.

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