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A Importância da Divulgação Científica

 

Introdução

Tivemos e continuamos tendo divulgadores científicos muito famosos, até brasileiros. Carl Sagan, Stephen Hawking, Neil deGrasse Tyson, Michio Kaku, Marcelo Gleiser, etc. E até mesmo não cientistas como Arthur C. Clarke, James Randi, Adam Savage e Jamie Hyneman (Mythbusters), etc.

Ainda assim, se considerarmos o número (astronômico – sem querer fazer trocadilho) de cientistas que temos hoje em dia, ainda é muito pouco. Por que isso acontece? Esses cientistas não se interessam por isso? Ou a mídia que não lhes dá espaço? Bem, infelizmente, parece ser um pouco dos dois. Mas, afinal, qual a importância que a divulgação científica teria, senão para trazer fama para a pessoa em si?

É sobre esses temas que pretendo discutir neste artigo.

A Importância da Divulgação Científica em um Breve Histórico

Eu poderia até mesmo escrever um livro falando sobre a importância da divulgação científica ao longo da história. Contudo, prefiro deixar que Carl Sagan, o próprio, fale sobre isto:

Este vídeo é trecho do 13º episódio da série Cosmos, de Carl Sagan e Ann Druyan. Série, aliás, que é uma das mais fantásticas obras de divulgação científica da história.

Como dito por Sagan neste vídeo, a própria destruição da Biblioteca de Alexandria pode ser explicada, em parte, pela falta de divulgação científica.

Ao mesmo tempo, temos um exemplo oposto: Galileu Galilei, apesar de ter sido condenado e calado pela igreja, teve suas ideias largamente difundidas e, principalmente, ouvidas, o que, entre outras coisas, fez com que a Revolução Científica eclodisse.

Isto ocorreu devido a duas coisas: a invenção da imprensa no século XV e pelo fato de Galileu ter escrito um livro sobre suas ideias, o qual foi impresso e distribuído em tal número, que a igreja não pode controlar. Mas o que isso tem a ver com a divulgação científica? Simples: a forma como Galileu escreveu suas idéias (como um conto mesmo, um diálogo entre 3 personagens) seria hoje, sem dúvida alguma, considerado como um livro de divulgação científica.

Aliás, sobre Galileu, há uma discussão se ele seria um Livre Pensador, ou um religioso (católico, no caso). Mas isso pouco importa. Crendo em um Deus ou não, ele não deixou que essa fé o cegasse, permitindo assim que ele fizesse as descobertas que fez. O que, no final das contas, é o mais importante.

A Situação Atual

Hoje está ocorrendo um acirramento de ânimos por parte de religiosos fundamentalistas, principalmente nos EUA e Inglaterra. Há também uma grande revolta destes mesmos religiosos, devido a muitos ateus estarem “saindo do armário”, como diz Richard Dawkins. Por isso tudo está nascendo um debate sobre se devemos ou não fazer divulgação científica (como pode ser visto aqui – em inglês). Além disso, alguns cientistas simplesmente não gostam de divulgação científica.

Eu mesmo já cheguei a achar que isso poderia ser um problema. Contudo, mudei minha opinião: se o embate é ruim, nos calarmos será pior ainda. Por isso, acho que a divulgação científica deveria ser exigido pelo próprio método científico, a todos os cientistas. Isso devido ao próprio histórico (de novo: Biblioteca de Alexandria) e ao fato de que quanto mais divulgarmos, mais gente pensando e até colaborando com a ciência teremos.

O conhecimento tem sim uma importância imensa, ainda mais em nosso tempo. Mas conhecimento só tem valor quando compartilhado, distribuído, popularizado. Não pode ser visto como “patrimônio pessoal”, mesmo porque não tem como ser deixado como herança. Além disso, qual será a importância de descobrir o que causou o Big Bang, ou de como a vida surgiu e evoluiu em nosso planeta, se essa informação não chegar a todos?

Mesmo que essa informação chegue a todos, do que adiantará se as pessoas não estiverem preparadas para recebê-la e aceitá-la como fato científico? Sim, porque hoje ainda não estão, basta ver o número de criacionistas que ainda temos.

Só para ilustrar, há alguns dias atrás, apareceu um adolescente na comunidade Astronomia! do Orkut, que criou um tópico, surpreso, por ter visto Marte a olho nu. E daí? Bom, se você perguntar isso, realmente você provavelmente também terá um conhecimento bastante limitado sobre astronomia, afinal sempre foi possível ver Marte a olho nu (há não ser em dias chuvosos, claro). Até mesmo aqui em São Paulo, é possível vê-lo.

Espaço na Mídia

Realmente não temos muito espaço na mídia brasileira para a divulgação científica. Ela só é feita na TV Cultura, na Globo (ainda assim em horário em que ninguém está assistindo TV: 6h20 da manhã de sábado), no canal Futura e na TV Escola (que, aqui em casa mesmo, não pega devido à TV por assinatura).

Mas temos de lembrar de três pontos importantes:

Assim, se material de divulgação científica de qualidade for produzido e não conseguir espaço nas TVs para ser exibido, a abertura de um processo seria suficiente para abrir esse espaço.

Não é fácil, é verdade, mas é sim possível.

O Futuro?

Sinceramente, não sei qual poderá ser o futuro da ciência, se o número de divulgadores científicos e, consequentemente, o número de obras de divulgação não crescerem exponencialmente.

Muitos, até mesmo não cientistas, têm feito a sua parte. Mas já está mais do que na hora de mais cientistas seguirem o exemplo de Sagan, entre outros, e passarem a divulgar (ou divulgar mais) a ciência que fazem.

Ótimas ferramentas para isto temos de sobra. Blogs, Twitter, Formspring (que era usado pelo pessoal do site Evolucionismo e pode ser visto aqui), etc.

Isto tudo porque, caso isso não seja feito, corremos um sério risco de ter uma nova “destruição da Biblioteca da Alexandria”, mas tendo algo como a NASA ou o LHC como vítima. Isto pode parecer fatalismo ou sensacionalismo de minha parte, mas faça você mesmo o teste: vá até os EUA ou à Inglaterra, procure uma praça e, lá, defenda de peito aberto o evolucionismo. Veja o que acontece e depois nos conte.

Portanto, acho que a pergunta válida aqui não seria “se” fazemos ou não divulgação científica, mas sim se fazemos agora, ou esperamos algo assim acontecer.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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