-->

Sistema planetário distante é um “sistema solar gigante”

 

324132main_extrasolar_HR8799b_HI

Uma equipe de astrônomos, incluindo Quinn Konopacky do instituto de astronomia e astrofísica de Dunlap, Universidade de Toronto, completou o até então mais detalhado estudo sobre a atmosfera de um gigante gasoso “Jupteriano”, além de nosso sistema solar.

De acordo com Konopacky, “Temos sido capazes de observar este planeta de forma inédita e sem procedentes graças a instrumentação avançada que nos foi fornecida pelo telescópio Keck II, seu modo de observação inovador, técnicas de processamento de dados, além da natureza deste sistema planetário também.
Konopacky é o autor principal do artigo científico que descreve os resultados da equipe, que foi publicado dia 14 de março na Science Express e dia 22 na revista Science.

A equipe, usando um espectrógrafo de imagem de alta resolução chamado OSIRIS, descobriu a “impressão digital” de certas moléculas específicas , revelando uma atmosfera nublada contendo monóxido de carbono e vapor d’água. “Com este nível de detalhe, nos podemos comparar a quantidade de carbono e de oxigênio presentes na atmosfera dos planetas, e esta mistura química pode nos fornecer dicas de como um sistema planetário inteiro é formado”, diz Travis Barnan; Astrônomo do observatório de Lowell e co-autor do artigo.

Existem hoje incertezas consideráveis sobre como sistemas planetários são formados, -Com dois modelos principais chamados Acreção de núcleo e Instabilidade gravitacional.
Entretanto, as propriedades de um planeta, assim como a composição da atmosfera deste mesmo, são dicas certas de como este sistema é formado tanto para com um modelo quanto para o outro.

“Este é o espectro mais nítido já observado em um sistema extra-solar de planetas,” de acordo com o co-autor Bruce Macintosh do laboratório nacional de Lewrence Livermore. “Isto mostra o poder de uma imagem direta de um sistema planetário. É uma resolução bastante requintada fornecida por estas novas observações que nos permitiram finalmente sondar a formação de planetas e sistemas planetários.

O spectro revela que a taxa de carbono e oxigênio é consistente ao cenário de acreção do núcleo, o modelo pode nos ajudar a explicar a formação do nosso próprio sistema solar.

O modelo de acreção do núcleo prevê que planetas gigantes tendem a se formar em maiores distancias do núcleo da estrela, e pequenos planetas rochosos mais próximos, assim como no nosso sistema solar. E são os planetas rochosos, não tão longes e não tão próximos da estrela que são os principais candidatos a abrigar vida.

“Os resultados sugerem que o sistema de HR 8799 é como um sistema solar “ampliado”, e além dos gigantes de gás longe de sua estrela-mãe, não seria nenhuma surpresa se encontrássemos “Terra(s) alienígena(s)” nas proximidades desta estrela.

O planeta designado HR 8799c é um dos 4 gigantes de gás conhecidos orbitando esta estrela a 130 anos luz da terra. Os autores e seus colaboradores já aviam descoberto previamente HR 9799c e depois seus três companheiros em 2008 e em 2010. Todos os planetas são maiores que qualquer outro em nosso sistema solar, com massas de 3 a 7 vezes maior que Júpiter. Suas orbitas são igualmente grandes, mas comparáveis as de nosso sistema. HR 8799c orbita 40vezes mais distante de sua estrela em comparação com a orbita terrestre; No nosso caso, isto se assemelharia bastante com a orbita de Netuno.

Konopacky e seu time continuarão os estudos de planetas gigantes afim de aprender de forma mais detalhada sobre a natureza e atmosfera destes mesmos. Observações futuras serão feitas com a recente atualização de OSIRIS que utilizará de uma nova rede de difração – O componente chave do espectrógrafo é o fato de ele separar a luz de acordo com o comprimento de onda (tal como um prisma)

“Observações futuras nos dirão muito mais sobre os planetas neste sistema, e quanto mais soubermos sobre este, mais saberemos sobre nosso próprio sistema solar,” completa Dunlap Fellow Konopacky.

Autor(es):

Sergio Panceri

Sou um escritor paranaense com certo fascínio pela ciência desde que me entendo por gente. Me torno mais fascinado ainda quando o assunto é sobre astronomia.

Todas as postagens do(a) autor(a)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload the CAPTCHA.