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Teoria do Big Splash e a nova datação da Lua

 

A hipótese do grande impacto é a explicação mais aceita hoje em dia para a formação de nossa Lua. Segundo ela, há cerca de 4,5 bilhões de anos teria ocorrido um impacto de um planeta com aproximadamente o tamanho de Marte, conhecido como Theia, com a Terra (que na época teria cerca de 80% do seu tamanho atual). Como resultado desta colisão, grande parte do núcleo de Theia teria se fundido ao núcleo da Terra, enquanto que o restante – e parte do material da crosta terrestre – teria sido ejetado para a órbita da Terra, formando nossa Lua.

Segundo a Wikipedia:

A colisão não foi frontal, mas sim de lado, e ocorreu a uma velocidade de 40,000 quilómetros por hora. Parte substancial do núcleo de Theia afundou-se na Terra e o seu material incorporou o núcleo terrestre. O resto do planeta e parte da zona superficial da Terra foram projetados para o espaço. O que sobrava do núcleo estabilizou a cerca de 22.000 km da Terra apenas 27 horas depois do impacto, segundo a modelação utilizada pelos cientistas, num percursor do que seria a Lua.

Veja abaixo um vídeo feito pelo Discovery Channel, que simula como esta colisão – e posterior formação da Lua – pode ter ocorrido.

Contudo, um novo estudo de pesquisadores do laboratório nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, aponta que a Lua seria bem mais jovem do que isto. Segundo este artigo do site Rubens – Núcleo de Estudos da Lua, do GAEA (Grupo de Apoio em Eventos Astronômicos):

Eles utilizaram diferentes técnicas para calcular a idade da rocha lunar, medindo os níveis de metais, minerais e isótopos de samário, e estimaram que o material se resfriou e solidificou há cerca de 4,36 bilhões de anos. É a primeira vez que uma mesma rocha é analisada com diferentes técnicas de cálculo de idade. Por sua estrutura, os cientistas estão bastante seguros que a rocha se formou ao mesmo tempo que o satélite.

Os resultados ainda necessitam ser confirmados por estudos independentes, mas caso sejam, invalidam a Teoria do Big Splash? Na realidade não, a colisão pode inclusive ter ocorrido na mesma época estimada. Dois fatores podem explicar os resultados que eles encontraram:

  1. As amostras podem não representar a parte mais antiga da crosta lunar;
  2. Ou o resfriamento e solidificação de materiais no espaço ocorrem de forma diferente do que se imaginava.

Novamente segundo o artigo do Núcleo de Estudos da Lua do GAEA:

As novas descobertas indicam que ou a estimativa da idade da Lua estava errada em milhões de anos, ou a teoria de como ela surgiu é que estava equivocada. No segundo caso, cientistas precisarão criar novas teorias para explicar como a matéria espacial se resfria e se solidifica. A equipe seguirá estudando esta e outras pedras trazidas da Lua.

De qualquer forma, é bom lembrar que teorias científicas não são “verdades absolutas”, que cientistas descobrem através de “rituais secretos”, onde a natureza “revela seus segredos”. Ao contrário, teorias científicas são modelos matemáticos que tentam representar a realidade, da melhor forma possível.

Tais modelos podem estar errados? Claro que sim. Há algum problema em se descobrir algum erro? Absolutamente não, ao contrário: serve para aprimorar os modelos, fazendo com que cheguemos cada vez mais perto da realidade (que, óbvio, jamais atingiremos).

No caso da Lua, há como se provar definitivamente que ela se formou através do Big Splash? Não. Aliás, nada pode ser “provado definitivamente” na ciência, ainda mais se tratando de algo que aconteceu entre 4,5 e 4,36 bilhões de anos atrás.

O importante é que a explicação funciona, isto é, que a Lua pode sim ter se formado desta forma, além de explicar o porque das rochas lunares serem tão parecidas com as terrestres.

Autor(es):

Mário César Mancinelli de Araújo

Sou formado em Engenharia de Software e QUASE em Ciência da Computação (não concluí). Pretendo, agora, fazer astronomia na USP assim que possível para, depois, me especializar em astrobiologia. Sou um apaixonado pela ciências em geral e gosto muito de investigar alegações extraordinárias (como a ufologia, por exemplo).

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